Mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos mentais

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mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos mentais

As mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos mentais do que os homens, de acordo com um novo estudo realizado pela Universidade do Arizona (EUA).

A Drª Roberta Diaz Brinton, diretora do Center for Innovation in Brain Science da Universidade e responsável pela pesquisa, já vinha estudando há três décadas sobre quão frequentemente as mulheres eram atingidas pela doença de Alzheimer. Eis o que ela descobriu: aproximadamente dois terços dos pacientes diagnosticados com distúrbio cerebral são mulheres — um em cada cinco será diagnosticado quando alcançar os 65 anos. E, em 2050, até 9 milhões de mulheres podem desenvolver a doença.

Ao procurar por motivos para esses fatos, Brinton e sua equipe encontraram as respostas de que precisava. “Sabemos que a doença de Alzheimer pode levar cerca de 20 anos para se desenvolver antes de um diagnóstico, e que a idade média de um diagnóstico de Alzheimer é cerca de 72 a 75 ”, disse Brinton ao site Prevention. “Não é preciso ser um cientista para fazer as contas e ver que quando você subtrai 20 da idade média do diagnóstico de Alzheimer, chega à idade média da menopausa, que é 51”. 

Por que as mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos mentais?

Os hormônios — em especial o estrogênio — são grandes responsáveis pelas doenças mentais afetarem mais as mulheres. Para se ter uma ideia, as mulheres têm duas vezes mais chances de desenvolver certos tipos de tumores cerebrais, quase duas vezes mais chances de sofrer de depressão e três vezes mais chances de ter dores de cabeça do que os homens. As probabilidades de sofrer um derrame e desenvolver uma doença autoimune que afeta o cérebro, como a esclerose múltipla, também são maiores.

Como o estrogênio afeta o cérebro

A puberdade, a gravidez e a menopausa são transições fundamentais na formação e na mudança do cérebro feminino. E quando se trata de hormônios sexuais, é importante saber que eles possuem papeis que não têm nada a ver com a reprodução e tudo a ver com como o cérebro usa energia, de acordo com Lisa Mosconi, diretora da Women’s Brain Initiative

O estrogênio é o regulador-mestre da produção de energia do cérebro feminino. É ele que mantém as células cerebrais saudáveis e ativas, além de promover a atividade cerebral em regiões responsáveis pela memória, atenção e planejamento. “Sabemos que o estrogênio estimula a formação de novas conexões entre as células cerebrais, o que torna o cérebro mais resistente e adaptável”, diz Mosconi. “É também um hormônio neuroprotetor que realmente protege as células cerebrais contra danos.” Nos homens, a testosterona atua de maneira semelhante.

Ainda de acordo com Lisa, as mulheres, graças aos seus ciclos menstruais, têm aumentos e quedas de estrogênio no cérebro — ao contrário dos homens, que a partir da puberdade possuem níveis estáveis de testosterona e apenas passam por um leve declínio por volta dos 40 aos 80 anos, ou mesmo nunca. Essa mudança nos níveis de hormônio pode acelerar o processo de envelhecimento, bem como enfraquecer os neurônios, tornando os cérebros femininos mais vulneráveis a doenças.

O papel da glicose no funcionamento cerebral 

O estudo da Drª Roberta e o da Drª Lisa têm algo em comum: elas entenderam como os cérebros masculino e feminino metabolizam a glicose, o que também ajuda a explicar por que as mulheres têm mais chances de desenvolver transtornos mentais. “Tanto em homens quanto em mulheres, o cérebro consome bastante glicose, sua principal fonte de combustível”, diz Brinton. “Mas nas mulheres, o estrogênio regula até 25% do metabolismo desse monossacarídeo. Qualquer condição que limite a capacidade do cérebro de absorver glicose dos vasos sanguíneos ou de convertê-la em energia terá um impacto na função cerebral”, explica ela.

Isso explica o motivo de as mulheres sofrerem de lapsos de memória e confusão mental durante a menopausa — quando há queda do estrogênio. E, então, quando há menos estrogênio e uma desaceleração do metabolismo da glicose em seu cérebro, o órgão começa a “sentir fome”. 

“A boa notícia é que seu cérebro começa a extrair gordura periférica de suas coxas e barriga para obter essa fonte auxiliar de combustível para te ajudar a sobreviver”, diz Brinton. “Mas, a longo prazo, o cérebro não gosta de não receber glicose suficiente — e vai realmente começar a ‘comer’ sua própria substância branca para obter energia”. (A substância branca conecta diversas áreas de substância cinzenta do cérebro umas às outras e manda impulsos nervosos entre neurônios).

De acordo com a Drª Lisa, este entendimento relativamente novo das muitas maneiras pelas quais o estrogênio protege o cérebro pode ajudar a explicar como os cérebros masculino e feminino envelhecem de maneira diferentes, “Geralmente, homens de 40 a 60 anos têm altos níveis de energia cerebral, mas, para as mulheres, há um declínio acentuado durante a menopausa. E, para aquelas com predisposição ao Alzheimer, tende a haver um risco maior de desenvolver placas amilóides (depósitos de fragmentos de proteínas são tóxicas para os neurônios e suas sinapses) de Alzheimer durante a menopausa. Para ser clara, nem todas as mulheres desenvolvem placas de Alzheimer, e nem todas as mulheres com placas desenvolvem demência. Estamos trabalhando para entender melhor esse risco”, esclarece ela.