Intolerância à lactose: como tratar?

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intolerância à lactose

A intolerância à lactose é uma condição mais comum do que se imagina. Só no Brasil, são mais de dois milhões de casos por ano, de acordo com dados do Hospital Israelita Albert Einstein. 

A lactose é um dissacarídeo — ou seja, um carboidrato — encontrado no leite, responsável pelo gosto adocicado da bebida. Ela precisa ser “quebrada “em glicose e galactose, em partículas menores, para que seja absorvida pelo intestino, o que ocorre por meio da enzima lactase. 

O que causa a intolerância à lactose?

“Quando há uma deficiência da enzima lactase, a lactose alcança o cólon, levando a uma fermentação bacteriana e liberação de gases, como hidrogênio e metano”, explica a Dra. Luana Luz, gastroenterologista do Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Quais os principais sintomas?

  • Distensão abdominal;
  • Cólicas;
  • Gases;
  • Diarréia e, algumas vezes, constipação. 

Também podem ocorrer sintomas extra-intestinais, como dor de cabeça.

Como é feito o diagnóstico da intolerância à lactose?

“Hoje, o padrão ouro é o teste respiratório de hidrogênio expirado que, além de diagnosticar, consegue também nos orientar quanto ao tratamento”, diz Luana. 

O teste é realizado da seguinte maneira: o paciente expira em um pequeno aparelho, parecido com um bafômetro. Em seguida, ingere uma bebida com alta quantidade de lactose. O médico, então, analisa o ar expirado do paciente em intervalos que variam de 15 a 30 minutos. Caso o nível de hidrogênio aumente, é sinal de que há um processamento incorreto da lactose no organismo.

Outros testes disponíveis são o sanguíneo e o genético. No primeiro, são coletadas amostras de sangue do paciente em jejum e de 30 em 30 minutos após consumir a bebida rica em lactose. Se as enzimas estiverem funcionando corretamente, a taxa glicêmica apresenta uma diferença de ao menos 20mg/dL.

Já o teste genético analisa o gene MCM6, responsável por regular a produção da lactase no organismo. Ele é feito com uma pequena amostra da saliva do paciente, e não é necessária a ingestão da bebida láctea. 

Existem níveis diferentes de intolerância?

Sim, na verdade, há três tipos:

– Congênita, quando o bebê já nasce com a deficiência; 

– Primária, quando há um declínio nas taxas da lactase em alguns indivíduos; 

– Secundária: quando existe a presença de alguma doença do trato gastrointestinal que afeta a produção de lactase.

“Quanto aos graus de intolerância, ainda não existem nos consensos a relação quanto à divisão do paciente em grau leve, moderado e alto. Porém, por meio de alguns testes, como o respiratório de hidrogênio, podemos avaliar uma possível associação quanto ao grau”, diz Luana. 

Como é feito o tratamento?

Restrição na ingestão de leite e derivados com lactose ou o uso da própria enzima lactase antes de consumi-los, sendo ingerida conforme orientação médica, individualizando a dose dependendo do grau de intolerância.

Quais cuidados se deve tomar a partir do diagnóstico?

É importante lembrar que parte dos indivíduos tolera até 12gr/dia de lactose — um copo de 240 ml de leite. A melhor opção é restringir — e não evitar — alguns laticínios com baixo teor de lactose na dieta.

Também é importante se atentar aos rótulos dos alimentos e verificar se o valor nutricional oferecido pelos seus nutrientes é o adequado, principalmente em relação ao cálcio e à vitamina D. 

O que nos leva à seguinte pergunta…

É possível ingerir a quantidade diária necessária de cálcio sem laticínios? E qual seria essa quantidade?

Segundo Luana, a necessidade diária de cálcio varia de acordo com a idade. Em média, pessoas entre 19 e 59 anos precisam de 1.000 mg por dia, mas esse número aumenta para 1.200 mg em idosos.

O cálcio também pode ser encontrado em folhas verdes, leguminosas, sementes de gergelim, sardinhas e amêndoas torradas, por exemplo.

Em 100 gramas de espinafre refogado, há 112 mg de cálcio. Na mesma quantidade de couve, 177 mg. Já 100g de sardinha contam com 438 mg de mineral.

Quais as melhores substituições aos leites, queijos e demais laticínios para quem tem intolerância à lactose?

– Leite com baixo teor de lactose (com adição de lactase);

– Leites derivados, principalmente de plantas, como soja, arroz, aveia , coco, amêndoas e outras nozes;

– Queijo de cabra (que não contém lactose) e parmesão (que possui quantidade mínima ou apenas traços de lactose) ao invés de requeijão ou cottage.

Existem fatores de risco? 

De acordo com Luana, hábitos alimentares e fatores genéticos podem influenciar na prevalência da intolerância.

“Mas sabemos que com o aumento da idade há uma diminuição na produção da enzima lactase. E também há casos em que a deficiência está sendo causada secundariamente à outra doença associada, como inflamação intestinal, parasitoses (vermes) e supercrescimento bacteriano do intestino”.

Quais as melhores dicas para conviver com a intolerância à lactose?

– Leia sempre os rótulos; 

– Tenha sempre um lanchinho com você;

– Explore novas receitas e se aventure na cozinha.

“Não tenha vergonha de ser intolerante à lactose e compartilhe seus sintomas, dificuldades e emoções com amigos e familiares. Com certeza você poderá ajudar alguém a também se identificar com o diagnóstico!”, finaliza Luana.